sábado, julho 23, 2011

TEU JARDIM

Campo sou, de pó e de terra,
em que sementes caem e germinam.
Pequenas, tornam-se baobás,
que me roubam águas,
que me tolhem forças,
que me secam sem dó.

Mão sou, de carne e sangue,
que limpa a terra de impurezas,
que poda o mal que germina,
semeado de noite pelo sabotador,
que cerca o terreno e impede a invasão.

Hei de me tornar jardim puro,
em que habitam apenas flores,
e não pragas e abrolhos,
em que haja abundante água,
e não óleos e venenos.

Hei de me orgulhar dos caminhos,
dos pequenos labirintos,
feitos para propiciar deleite,
para a alegria de crianças
que brincam e correm entre eles.

Um jardim de Deus,
uma arte sem par,
hei de me tornar.

Eis que o tempo passa,
e todos os dias uma nova flor nasce.
Mesmo que tenha de romper a terra,
mesmo que tenha de ferir sua pele,
uma nova flor nasce,
de raízes teimosas,
de caule tenaz,
de pétalas tímidas.
Não tem medo de resplandecer ao Sol,
que tépido, pela manhã,
acaricia suas belas cores.

Sou jardim de Deus,
sou cuidado por Ele,
Cada uma de minhas plantas é para seu louvor,
cada uma de minhas árvores são exultação.

Não se engane: todo equilíbrio é precário,
é umidade, sanidade, estrutura e zelo.
Sou um jardim, e tu és mão de Deus.

Em teu cuidado sou belo e viçoso.
Não te descures de mim, de meus dias.
Em teu cuidado prospero,
em tua ausência decaio.

Eis que sou teu jardim,
habitação perpétua e sempiterna.
Eis que sou tua casa,
morada de alegria e deleite.

Olha-me como teu jardim.

Um comentário:

Anônimo disse...

Menino do Céu que coisa linda! Belíssimo! É seu? Amei mesmo!