quarta-feira, junho 23, 2010

O CHAMADO

Ariana, tão luzente Ariana,
venha a mim tua coroa,
desgarrada de meu céu.
Tua morada é meu corpo,
tua cama, o meu leito.
Vem, para que conheças a paz,
a derradeira paz de me pertencer.
Nada terás distante de mim,
mas somente a infindável labuta,
a dor de viver só, sem meu amor,
sem meus dedos e entranhas.
Sou teu leito, sou teu sonho vivo.
Estou sempre presente em ti.
Sentes meus carinhos em teus cabelos,
minhas mãos em teu corpo branco,
meus lábios em teus lábios róseos e vermelhos?
Não cessarão jamais.
Ainda que distante, sentes meu calor
em teu pescoço e tuas coxas?
Não te aflijas, nada temas:
o futuro traz o dia, a noite passará.
Se tens fé, confia, e verás o Sol nascer.
Edificarei tua ilha como palácio
e nela habitarei por todos os tempos,
completando-te,
preenchendo-te,
inundando-te com minha alma inteira.
Hei de tornar-te minha por todos os séculos,
e transformar tuas lágrimas em pérolas,
teu suor em brilhantes,
teus olhos em esmeraldas refulgentes.

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