domingo, maio 09, 2010

DORME

Dorme.
Nada conheças do céu,
nada saibas da Terra;
apenas dorme.
Não abras teus olhos,
pois nada verás além do vazio,
E ao teu redor,
somente o deserto.
Exílio.
Solidão.
Esquecimento.
Eis teu quinhão,
tua sorte, teu azar.
Nada te nutre,
nada te alimenta.
Apenas dorme.
Definharás,
inevitavelmente,
enquanto dormes.
E se morreres,
antes disso,
saiba que foste o mais belo,
o mais puro,
o mais pleno amor
que se aninhou em meu peito.
Nenhum outro se fez tão forte,
tão pleno em coragem,
tão
cheio de vida,
como tu.
Mas dorme, agora,
pois nada podes fazer
para trazer tua amada de
volta.
Tua Eurídice se foi,
e não mais volta.
E a ti,
ó néscio amante,
restam os lamentos,
a dor e o pranto,
de amar sem fim
e nem limites,
sem tempos
e sem fronteiras
aquela que não te perdoou,
sem saber que te perdia.

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