quinta-feira, abril 22, 2010

NÁUFRAGO

Tuas palavras ecoam em meus ouvidos.
Relembro cada uma, sem cessar.
Leio e releio cada letra,
cada vírgula,
tentando sorver-te por inteiro
nas pequenas frases que escreveste.
Mas outras vozes me dizem,
em alto tom:
"Nada sabes.
Foste exilado.
Não tens mais lugar no país de tua bela."
Não posso pensar em outra indagação:
Por que?
Que te moveu a isso,
a me ter tamanha abjeção?
Sou eu dor para ti,
mácula inevitável em tua memória?
Que me tornei para ti?
Tua triste voz pouco fala,
tuas palavras são curtas,
velozes, necessárias.
Acabei-me para ti?
Sinto como se minha morte
chegasse mais cedo do que imaginei.
Minha poesia se torna meu refúgio,
o único abrigo em que posso existir.
Este não é apenas mais um poema.
É um clamor por tua presença,
por tua palavra de amor,
por teu olhar límpido!
Minha voz se tornou como a de um náufrago,
perdido, sem tábua nem beirada,
a esperar por salvação...
Preciso de ti

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